chegou a vez dele e aprontou-se a pagar. qual foi a bomba em que abasteceu? olhe não me lembro, respondeu. bem, é que eu tenho duas a descoberto.. terá que fazer o favor de me dizer qual é para proceder ao pagamento. sem me parecer muito preocupado volta a repetir que não se lembra. então, para lhe avivar a memória, faculto-lhe os valores que tenho registados. uma das bombas tem um valor baixo na ordem dos 20 euros, outra num valor superior atingindo os 70 euros. mesmo com estes dados não identifica e diz-me, olhe menina deve ser um desses, não se preocupe, quem paga é o estado. eu quero é ir-me embora!
por momentos fiquei sem reação. as palavras que normalmente me saem porque estão ensaiadas na diária lida com elas atravessaram-se na garganta. pensei com medo que fosse alto demais e se ouvisse fora da minha cabeça se aquele homem não saberia que o estado era ele, eramos e somos todos nós? que o dinheiro dele pagava as despesas que ele tão levianamente achava que o estado podia pagar? calei contra a vontade toda esta urgência de dizer estas palavras e abotoei a linguagem da farda que vestia. importa-se de ir verificar, por favor, qual a bomba em que abasteceu para poder proceder ao pagamento? muito obrigada.

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